I ANTOLOGIA POÉTICA DE MACATUBA

  

ASSOCIAÇÃO CULTURAL “EVANDRO PERAÇOLI”

PREFEITURA MUNICIPAL DE MACATUBA

 

 

 

 

 

I CONCURSO DE POESIAS

 

 

 

 

 

I ANTOLOGIA POÉTICA DE

MACATUBA

 

 

 

 

CAPA:

 

EVANDRO PERAÇOLI (em memória)

 

 

 

 

1ª EDIÇÃO

 

 

MACATUBA

1994

 

PREFÁCIO

 

Um livro é a concretização de um sonho; é colocar diante dos olhos o pulsar de um coração poético. Contudo, especialmente este, reunindo vários autores, é posicionar-se com destaque no centro da constelação macatubense.

Refiro-me à sensibilidade artística, à veia cultural, às raízes advindas do amor à terra entrelaçadas no mais puro sentimento de admiração à arte reunidos nesta obra.

Este livro abre caminho através de sua própria construção àqueles cuja luz ainda teima em se ocultar. Abre as portas para seres de horizontes largos, firma autores inevitáveis que através do I Concurso de Poesias promovido pela Associação Cultural “Evandro Peraçoli” e Prefeitura Municipal, cederam as musas inquietantes de suas imaginações.

O concurso pretendeu revelar poesias inéditas, aprimorar o gosto pela arte poética e incentivar novos talentos, ocorrendo tais objetivos de maneira que vimos brotar esta obra visivelmente cheia de energia.

Este é um livro que propõe a ruptura entre o sonho e o real; um bálsamo contra a anticultura extraindo da singeleza das palavras o ouro puro contido na alma.

 

Selma Pereira de Freitas

Diretora Departamento de Educação e Cultura

 

 

 

 

 

CATEGORIA

 

ADULTO

 

 

 

CONFORMIDADE

 

Somos como somos

indigentes,

Caídos no vácuo da inconsciência

Saídos do ventre da incompetência

Mortos por nossa própria apatia.

Somos como somos,

Fantoches,

Nas mãos das falidas oligarquias,

No chão da teórica democracia

Resignados com a vida sem ato.

Somo como somos,

atores

Vegetando num canto do palco

Vigiando um campo falso

Porque a frieza da realidade ficou para trás

Somo como somos

retrato

Do sistema decadente, desumano

Do teorema da mente do insano

Materialistas da matéria

sem vida

Com mãos, pernas, voz

mas de almas mortas

intactas.

Maria da Graça Pontes Pinheiro

1º lugar

 

COTIDIANO

 

Encontro de vidas e

cabeças vazias,

Tudo parecia escuro.

As portas do meu corpo

se encontravam fechadas

Os movimentos se perdia

sem encontrar sua essência

As coisas aconteciam sem nenhuma

explicação...

 

De repente...

Um farol se aproxima

Com brilho diferente

das velas encontradas no caminho.

Essa luz foi se trilhando para

minha direção, de forma inocente

e sensível, dando claridade a tinta

opaca que me cobria.

As portas foram se abrindo

lentamente,

O preto tornou-se branco

O profano, profético

O lírico, métrico.

As bocas úmidas

A canção serena

Sobreviver tornou-se

imperativo...

 

Mara Andréia Galaci

2º lugar

 

ESCURIDÃO

 

Que se faça a luz

Branca, por favor!

Para iluminar as ruas imaginárias

das pessoas normais

de cores esquisitas:

moreno, canela, jambo...

 

Que se faça as trevas.

Negras, eu ordeno!

Para que os seres claros

de mentes escuras,

sirvam de guias

àqueles cujas peles

se confundem com a noite.

Aparecida Senhora

Senhora Nossa

Serás a figura mais pura

de uma raça mascarada.

 

Cores, não se misturem!

Estradas, não se cruzem!

Olhares, se repudiem!

Sonhos, brancos

Pesadelos, negros

Vida – teatro barato de

artista canastrão.

 

José Aparecido da Silva

3º lugar

 

CUCARACHAS

 

Michael, trinta homens a protegê-lo

tantos protegem a um só

mas não protegem tantos brasileiros

 

São dez batedores a escolta-lo

a guiar-lhe, a protege-lo

são dez os batedores a agredir-nos

somos só povo, somos só brasileiros

 

Grande serviço ele nos presta

nos mostra quanto somos pequenos

nos leva fardas e dólares

nos deixa indiferença e desprezo

 

Um rápido aceno, uma branca máscara

talvez para não se contaminar

deixa-nos em nossa vasta ignorância

- Adeus Michael Jackson, não precisa voltar

 

Fátima Catarina P. Almeida

 

SET TIB TERRA LEVIS

                                                                (Que a terra te seja leve)

 

Eu sou a terra

pisada

risada

Nas mãos do indigente

Nos olhos dos crentes

pintada

refinada

Na ampulheta do tempo...

E do vento

Que me leva ao seu encontro

Porque eu sou o seu destino.

Fábio Luiz Vicente

CRIANÇA

 

Oh! Criança, o que fiz para merecer tanta crueldade?

Eu lá dentro mal podia respirar,

Chegando às vezes a me afogar.

 

Jogue esse cigarro,

E esse copo de bebida,

Que só me faz ficar zonzo.

 

Enfim nasci.

Olho o mundo, pareço gostar,

Mas lá vem as pessoas a me maltratar.

 

Cresço um pouco mais,

E tenho que trabalhar.

Parem! eu tenho que gritar.

Sou ainda criança e tenho que brincar.

 

Vânia Ap. Rodrigues Vanni

 

 

A SIMPLICIDADE DO COMPLEXO EM A CLAREZA DO OBSCURO

 

A poesia de tão lírica tornou-se épica, heresia de uma época de não amor: e o amor de tão platônico, tornou-se verbo intransitivo atônito, verdade de se vê à olhos cegos; a metáfora, metas afora, neutralizam a metafísica do é absoluto e tudo ficou embutido nas entrelinhas do obscuro inconsciente, no subjetivismo do observador, virou metamente, metaconsciente.

A essência, por excelência, persiste em mim, insiste em sins, revela a plurissignificação de um único significado claro, raro; vela as duras cenas, as duras penas que deslizam na horizontal do paple sem saber qual será sua próxima construção: castelos de areia, nuvens esbranquiçadas, versos e rimas, músicas ou prosas, o canto da sereia ou chão firme para se brincar de roda? Caminhar o melhor caminho nem à frente ou atrás, nem mais perto ou mais longe, nem à direita ou à esquerda, nem sobre ou sob, nem de dia ou à noite, pois o amor independe de tempo e espaço, se alimenta de vida simples de ida sim e a vinda sempre está embuída de um “n” a mais, voltamos sempre com a soma, mesmo que seja sem...

Neste emaranhado de discursos poéticos, filosóficos, metafísicos ou dialético, não se encontra a medida perfeita sobre o amor claro, sobre você comigo ou eu comigo mesma, pois tudo ou melhor, nada se adere à qualquer teoria, é a prática, é sem ser, discursa por si, perturba, consome, desfruta a fruta, enlouquece, permeia, semeia na terra roxa a mais fértil semente e escorre por entre as coxas a mais clara fluidez.

 

Célia Regina Peraçoli

 

BRADO

 

Brado ao vento

um pranto de esperança

que nasce todo dia

com o sol e se renova

no sorriso de cada criança

 

Ainda que lhes falte

carinho, ainda que lhes falte

atenção, sobra esperança

que se renova a cada

dia, com o nascer do sol.

 

Fátima Catarina P. Almeida

 

CORRI, E FOI TARDE DEMAIS

 

Eu corri para te alcançar,

Você andando tão rápido,

Parecia voar.

 

Gritei, chorei,

Você não me escutou.

Que pena! Cheguei tarde demais.

Você foi voando,

Subindo feito uma pipa.

 

E eu chorando

Você pairava no ar

Parecia me escutar

E eu gritava...

 

Você cada vez mais longe...

Leve e solta como uma pluma

Sua alma parecia me escutar

Vi meu mundo acabar

E você longe, voando no ar.

 

Vânia Aparecida Rodrigues Vanni

 

 

 

 

 

CATEGORIA

 

JUVENIL

 

 

 

SUPER NOVA

 

Não vejo mistério nas coisas

todas as bolhas são transitórias

tudo é lúcido e precário

As violetas que são azuis

Podem vir à se rosas

num daltonismo estético

que se esconde na inutilidade fatal

Não há desespero na metamorfose

Não há veneno nas lágrimas

Não há ácido no ócido

Não existe sonho banal

todas as coisas são coisas apenas

são pedaços de outros pedaços pré-existentes

como estrelas super-novas no espaço sideral

Porque o sonho é sempre concreto

dentro das almas de quem os tem

Sabemos o que somos

o que fomos

e o que seremos

quase com exatidão

e, se não há certezas

me concedo o direito de fingir tê-las

Porque o destino é mais doido

que o sonho translúcido

de um sonâmbulo diurno

Me dou licença ao pensamento fútil

a interpretar o inútil

a não mistificar o evidente

- Habeas Corpus a mim-

 

Érika Pinheiro

1º Lugar

 

QUANDO

 

Quando todas as pessoas forem diferentes

Quando todos os animais forem respeitados

Quando as lagrimas não forem provocadas

Quando as crianças não passarem fome

Quando os velhos não forem abandonados

Quando a educação for prioridade

Quando a saúde for preventiva

Quando o saneamento for condição de vida

Quando o ar, a água pura for responsabilidade de todos

Quando a amizade for algo que se conquista

Quando excelência for o trabalhador

Quando vida em comunidade der prazer

Quando!  Quando!

Quando o homem se modificar

 

Alessandro Fernandes da Silva Vieira

2º Lugar

 

SE EU PUDESSE

 

Se eu pudesse parar a minha vida

e dar eternidade a um só momento.

Se eu tivesse o meu destino

preso ao destino das coisas no espaço...

 

Se eu pudesse destruir todas as

leis de dentro do universo que se

move para meu mundo,

havia de escolher esse instante

em que você estivesse nos

meus braços!...

 

Elisângela Maria Natali

3º Lugar

 

APOCALIPSE

 

Pedaços de carne inertes

jogados em frente à Candelária

Carcaças, crânios queimados

restos de lanomamis roubados

montanhas de gente sem vida.

Carandiru embebido em sangue

Todos lavados com balas

rajadas sonoras que calam

Projéteis involuntários que falam

das subvidas arrastadas

por entre os buracos infectos da cidadania

que sufocam e matam

indigentes despidos à luz da lua

que vela o sono e a morte

das vitimas do caos

E grita num som vertiginoso

extenuante

Abstrato, mas real

Veredicto da Sociedade

- CULPADA

 

Claudia Cardinali

 

ANDANÇA

 

Andando por esse mundo

fiquei muito descontente

vi homem roubando homem

vi gente matando gente

vi alegria distante

vi tristeza em minha frente

vi solidão ao meu lado

vi um mundo tão errado

Que podia ser diferente.

 

Andando por esse mundo

nada me deixou contente

era guerra em todo canto

nenhum sorriso, só pranto

Que corria permanente

no rosto de todo mundo

no rosto de tanta gente.

 

Andando por esse mundo

achei-o tão conturbado

Um mundo sujo, cheio de pecado

que podia ser diferente

mas só depende da gente.

 

BRASIL

 

Brasiliana de P. Deltrino

 

 

 

 

 

 

CATEGORIA

 

INFANTIL

 

O rato correu do gato

Porque o rato tem medo do gato

O gato se escondeu na toca do rei gatão

para o rato

E o rato se escondeu na toca do rei ratão

para fugir do gato

E o gato não conseguiu pegar o rato porque

é só uma poesia.

 

Rafael José da Costa

1º lugar

 

O JOGO

 

O Mundo é uma bola

Que gira sem parar

A bola mais difícil

Que existe para se dominar

 

O árbitro é a dificuldade

E para um time ele rouba

Mas com facilidade

Logo nós estamos gritando oba!

 

O artilheiro é o amor,

O goleador é a paz,

O goleiro é a inteligência

Que nada deixa passar.

 

O jogo finalmente está ganho

Pois o bem conseguimos fazer

Não esquecemos de ninguém,

nem de nosso próprio ser!

 

Ederson Ferreira

2º lugar

 

O PALHAÇO BOBOCA

 

Era um palhaço que só ficava com maloca.

Ele gostava de ir ao circo todo dia.

Fazendo palhaçada no meio da molecada.

 

No circo ele gosta de fingir que chora

Mas depois ele dia:

- É mentira minha senhora!

 

Boboca gosta muito de fazer que vai chorar.

E com a garotada ele gosta de brincar.

Boboca vive alegre e feliz

Com uma bola vermelha no nariz.

 

Kátia Cristina Reinhold

3º lugar

 

O SOL E O LUAR

 

Amanhece o dia

O Sol vem a raiar

Já está bem quentinho

as crianças saem a brincar.

 

Se o Sol vai embora,

Chega o luar

Daqui a pouco vêm as estrelas

e começam a piscar.

 

Chegou a hora de dormir

para descansar

E de manhã bem cedinho,

acordar.

 

Kleiton Lúcio de Lima

 

LIBERDADE

 

O que é liberdade?

Liberdade é ser livre

Como um pássaro

que voa no céu

Um pássaro é livre

quando está solto

Ele constrói seus ninhos

para seus filhotinhos.

 

Quando ele morre;

ai que tristeza!

Ele perde seus filhotes,

e toda sua beleza.

 

Que pena, ele está ferido!

Seus filhotes eram tão queridos!

Mas agora quem está livre

São seus lindos filhotinhos!

 

Até quando estarão livres?

Acho que até a morte

Piu! Piu! Piu!!!

O leão morde e come!

 

Que pena um predador

Sem nem um pingo de amor,

Engoliu um voador!

A natureza é assim,

um come o outro;

para poder viver

E por isso Deus os fez assim!

 

Camila Fantini Carletti

 

A COMUNICAÇÃO

 

Do rádio à televisão,

Vem a nossa informação

Se precisar falar com um amigo,

Basta usar o orelhão.

 

Também podemos mandar,

Uma carta ou telegrama,

A um ente querido,

Que tanto a gente ama.

 

A revista traz notícia,

O jornal, informação,

Também por esse meios,

Conseguimos a comunicação.

 

Vagner Luiz Daré

 

O DESPERTADOR

 

O despertador desperta

Com bastante atenção

Igual a batida do coração

 

Pula sempre cedinho

Porque está amanhecendo

Ele vai fazendo tic, tac com a sua obrigação

 

Amanhece sem canseira

Vai chegando um novo dia,

Tic, tac, tic, tac, bate das seis as seis, Ave Maria.

 

Carla Cristina Teodoro

 

POLUIÇÃO

 

A poluição cai no chão

Vai no rio

E traz complicação

 

Polui a água

E contamina a alimentação

Se não tomarmos precaução

Ficará doente toda a população.

Tratar, ferver, filtrar

É dever

Para nossa vida prolongar.

 

Luiz Gustavo Ziviani

 

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