PREFÁCIO

  

 

II ANTOLOGIA POÉTICA DE MACATUBA

 

 

 

 

 

Corpo de Jurados

Professor: Luís Victor Martinello

Jornalista: Jura Cervatti

Professor: Suad Barrach

Professor: Sérgio Massagli

 

 

 

 

 

Realização:

Prefeitura Municipal de Macatuba

Departamento de Educação e Cultura

 

 

 

1ª Edição – 1994

Macatuba – SP

 

 

 

 

 

 

 

PREFÁCIO

 

Este livro é escrito como fruto do II Concurso de Poesias promovido pela Associação Cultural Evandro Peraçoli e Prefeitura Municipal. Ele nasceu da convicção de que a sociedade totalmente mecanizada em que o homem é um indefeso dente de engrenagem da máquina precisa de poesia, de poemas que levem a um renascimento do humanismo, da esperança, da fé e do amor.

Este livro é baseado na convicção de que podemos encontrar as novas soluções necessárias com a ajuda da razão e com o amor apaixonado pela vida, não irracionalidade e do ódio. Ele é dirigido a uma ampla gama de leitores com diferentes conceitos políticos e religiosos, mas que partilham dessa preocupação com a vida e do respeito pela arte.

Este livro tenta fazer distinção entre a realidade individual e as essências universais que o artista capta da vida; que não se pode progredir abandonando as melhores realizações da mente, da alma humana.

A obra tenta captar a estrutura do caráter, as qualidade e potencialidades da raça humana e os problemas sociais, políticos e econômicos contemporâneos. Isso é feito na firme crença de que uma abordagem artística e bem sucedida dos problemas da sociedade contemporânea só é possível se a análise poética de todo o nosso sistema social inclui o que, neste livro, é reconhecido como o “HOMO SAPIENS”.

Resta apenas agradecer aos que leram a “I Antologia Poética de Macatuba” – e assim, incentivaram essa II Antologia. A todos que fizeram este evento tornar-se um livro. Em especial e memória à poetiza ARLÉIA Aparecida Avelino Garcia que com alma profundamente artística, hoje, festeja conosco mais esta vitória.

 

Silvio Carlos dos Santos

Professor de Língua Portuguesa

que ama muito os cidadãos desta cidade.

 

 

 

 

 

CATEGORIA INFANTIL

 

 

 

 

 

 

O MEU TRENZINHO

DE BRINCADEIRA

 

O meu trem corre

No trilho e o chão

E faz Piui!! Chec!! Chec!!

Apesar de ser de brinquedo

Imagino ele verdadeiro

Na minha imaginação.

 

Se você quer vê-lo bater

É só prestar atenção

Quando ele bate

Bate forte como meu coração.

 

Se você que vê-lo andar

É só prestar atenção

Olhe firme no meu trenzinho

Rodopiando no chão.

 

1º Lugar: Geovanni Bovolin – 10 anos

 

O PALHAÇO NARIGUDO

 

O palhaço narigudo

É um pouco barrigudo

Pula, rola, grita, cai.

E todo mundo pede mais.

 

No circo colorido.

Gosta tanto de brincar.

Equilibra-se numa bola

E não que cair jamais!

 

O palhaço Narigudo

É muito brincalhão.

Ele imita, faz de tudo,

pra alegrar seu coração!

 

O palhaço Narigudo.

Só pensa em alegria.

Não pensa em tristeza

Porque ri todo dia.

 

2º Lugar: Eliana Maria da Silva – 10 anos

 

O CAMINHÃO DO THIAGÃO

 

Lá vai Thiagão com seu caminhão

Sobe montão

atravessa riozão

desse ladeirão.

 

Cruza desvio

Rom... Rom... Rom...

Adeus meninão que joga bolão

Adeus mulherão que lava roupão.

 

Adeus vacão que come gramão

Adeus. Adeus

Lá vai Thiagão com seu caminhão

Todo dião, todo tardão.

 

3º Lugar – Talissa Toledo César – 09 anos

 

QUANDO ESTAMOS OLHANDO

 

Quando estamos olhando

para o céu

estamos olhando

para o passado.

 

Quando estamos olhando

para a liberdade

estamos olhando

para o futuro.

 

Quando estamos olhando

para o sol

estamos olhando

para o presente.

 

Larissa Ribeiro Davoli – 10 anos

 

PALHAÇA ENGRAÇADA

 

A palhaça se enfiou em uma enrrascada

Ela ficou engraçada

E caiu na gargalhada.

 

Com a calça rasgada

Ela fez uma graça

Ela com a graça

Furou mais a calça

E ficou sem graça.

 

E sem graça

Fez mais uma graça.

 

Fernanda Gomes da Silva – 08 anos

 

 

PASSARINHO

 

Passarinho. Passarinho

Que vive sempre voando

Quando voa passarinho

Eu só fico te olhando

 

Passarinho. Passarinho

Que vive sempre a brincar

Você brinca passarinho!

Com você vou brincar.

Passarinho. Passarinho

Que vive sempre a cantar

Você canta passarinho

Eu ouço você cantar.

 

Gislaine da Silva Braz – 10 anos

 

VIDA FELIZ

 

Quando saio na rua

Eu vejo uma linda lua

Toda prateada

Toda arredondada.

 

Também vejo estrelas

Elas brilham como se fossem luz

E tem formato de uma cruz

Tudo isso é a noite.

 

De manhã vejo o sol

E logo penso num caracol

O caracol é bem enrolado

E muito embaraçado.

 

À noite vou dormir.

De manha acordo.

Logo vou à escola

Colo as atividades no caderno, com uma cola.

 

Depois eu vou ao circo

Um palhaço dando cambalhota.

Ou dando risada

Outro dando gargalhada.

 

Aí volto feliz

Tranqüilo, levo minha vida assim

Deus fez a vida para você e para mim

Deixando todo mundo feliz.

 

Graziela Aparecida Pereira – 09 anos

 

A BALEIA DA “PESADA”

 

Vivo no mar

na água salgada

mas não respiro ar,

pois sou bem pesada.

Saco de areia!?

Hunf! peso mais

pois sou baleia

outro bicho

não serei jamais.

 

Eta baleia!

não vivo na areia!

 

Baleia quer brincar comigo

ou com meu amigo?

 

Heloíse Thaiane Gomes – 10 anos

 

O PALHAÇO PIPOCA

 

O palhaço pipoca

Gosta de fazer fofoca

Vai ao circo

Para imitar a foca.

 

Quando não consegue, chora

E depois diz: “é mentira criançada

o que eu gosto

é de fazer palhaçada.”

Ele é muito sapeca

Pega sua cueca

E dela faz uma meleca.

 

O palhaço gosta

De ser contente

Quando não consegue

Morde com o dente.

 

Na verdade o palhaço

É descontente

Quando não consegue

Brincar com a gente.

 

Karina Aparecida Toledo – 10 anos

 

O CÉU E O SOL

 

O céu é bonito

Como o mar

Lá vem o sol

Brilhando como ouro

O sol se esconde

E lá vem a lua

Com suas amiguinhas

As estrelinhas.

 

Às vezes, nas corridas

O sol ganha o céu

Como Troféu.

 

Marcel Augusto de Oliveira – 09 anos

 

SE O MUNDO FOSSE BELO

 

Se o mundo fosse belo

Não seria uma armadilha

Pega e solta o ser humano

Só destrói a sua vida.

 

A vida é uma ilusão.

Que no fundo acabará

Pra que tanta maltratação

Se o mal não vai ganhar.

 

Na vida tenho muito o que aprender

De uma coisa eu sei

O mal não vou fazer

Só sei dizer que com o bem

Só vou vencer,

 

Mariani Tramonte Leme – 10 anos

 

QUE LINDO!

 

Que lindo!

O futuro ali perto.

 

Que feio!

O passado

Mal educado.

 

Que lindo!

O presente feliz

Bem na ponta do nariz.

 

Michele Martins – 10 anos

 

OS DINOSSAUROS

 

Os dinossauros estão extintos

Ele também já foram seres vivos.

Tinha dinossauros carnívoros e herbívoros.

 

O Tiranossauro

Dançava com o Estegossauro

Um rock-sauro.

 

O filhote de Tiranossauro

Brincava de roda

Com o filhote do Estegossauro

O filhote de Heterodontossauro

Colocava o pé na roda

Para o filhote de Estegossauro cair e chorar.

 

O Tiranossauro e o Estegossauro

Paravam com o rock-sauro

E socorriam o filhote de Estegossauro

Mas ninguém socorreu os Dinossauros.

 

Thiago Henrique Gomes – 09 anos

 

 

 

 

 

CATEGORIA JUVENIL

 

 

 

 

 

MEMÓRIA

 

94 foi tristeza e alegria

Para os brasileiros

Ayrton Senna acelerou

Para buscar o tetra

Numa curva...

Ele foi infeliz!

 

Brasil vai à Copa do Mudo

Para buscar

O que ele não conseguiu

E nós? Trabalhadores?

Entre curvas.

Lutas e raras glórias

Estamos sempre buscando.

Mas...

Qual será o nosso dia de Vitória?

 

1º Lugar – Antonio Venâncio da Silva – 16 anos

 

 

MENINO DE RUA

 

Na vida se passa

O tempo nos faz viver

O que a vida nos dá

Para sobreviver...

 

Aprendemos as melhores

E piores coisas

É o que a vida tem

Para nos ensinar...

 

Nada se perde

Tudo se ganha

Lembranças, alegria e esperança

Que retratam a vida

De uma pobre criança!

 

Que veio ao mundo para sofrer

Sem vontade de viver

Entrou cedo na perdição

Matando, se drogando e violentando

Tornando-se ladrão...

 

Dormindo na calçada

Sem teto para morar

A vida desse menino

Que nos veio retratar.

 

Existem vários meninos sofrendo

Com a falta de comida, moradia

Vivendo na miséria

Onde está sua alegria?

 

Vivendo entre chacinas

Que os policiais fuzilam

Correndo ... para salvar sua própria vida

De balas desconhecidas

 

Ouvimos nos jornais as violências

Coisas que abalam o mundo inteiro

Vamos mergulhar na mesma onda do amor

Para que todos tomem consciência e

Providência...

Gritemos bem alto

Para os que estão na Presidência...

 

2º Lugar – Marcos Daniel Gomes de Castro – 15 anos

 

O CIRCO

 

Nada nessa vida é perfeito

Nem mesmo o espetáculo

Que temos feito

Embaixo de lonas velhas e furadas

Que já estão reservadas

Para nós moradores miseráveis

Não é um circo realmente

É o papel que temos na mente.

 

Somos piores que palhaços

Dessa vida cruel

Vivemos nos fracassos

Esse é nosso papel.

 

Pontes e viadutos

Esse é o nosso circo

Sem higiene e sabedoria

Catando restos de feiras

E lá se vai outro dia...

Levando até na brincadeira

Comendo essas mercadorias

Restos que os ricos jogam

Sem piedade

E quando nos dão alguma coisa

É sempre com muita crueldade.

 

3º Lugar – Elizabete Aparecida Cordeiro – 14 anos

 

MINHA DECEPÇÃO – 1ª PARTE

 

No começo tudo é alegria

na ilusão de uma fantasia

Paixões fulminantes e degradantes

Roubando nossa dignidade e ousadia

para ser homens, homens os quais

Deus nos fez um dia.

Roubando nossa identidade, nossa personalidade,

destruindo valores

e padrões morais

acabando com o nome da família.

Depois dessa falsa alegria, bate na porta a agonia

e lhe deseja um bom dia.

Seus sonhos caem no chão e você se angustia

Mas ainda não bastou, você insiste ainda nessa ilusão,

atrás de alegria.

Aí já não vem só angustia e frustração

depressão, vergonha e sua vida cada vez mais vazia.

E quando tudo vai ao chão e a morte lhe sorri,

então lembra que um dia alguém lhe aconselhou

e você não quis ouvir,

certamente agora agüentará as conseqüências.

E em desespero, em agonia você clama por

um ombro amigo que lhe ame e lhe entenda

É esse alguém que um dia você não quis ouvir

que vai abrir os braços e dizer:

“Sou um amigo que não guardou rancor de ti

e em mim achará todo apoio necessário

para se reconstruir”.

 

Ana Maria Antunes – 16 anos

 

VANDALISMO

 

Em cada Cidade, País ou Estado

São sempre os mesmos casos

Vândalos destruindo escolas

Crianças cheirando cola.

 

Salas de aula sendo destruídas

Pelos próprios alunos vandalistas

Carteiras quebradas

Salas arrasadas

Sem respeito aos professores

Que são nossos educadores.

 

Sem ele não teremos futuro

E viveremos sempre em apuros

Se... na verdade pro Brasil melhorar

Precisa desses vândalos pra ajudar

Pode crer, vai piorar...

Pois do jeito que vejo e vivo

Jovens arrasadores

Que destruirão primeiro...

 

Para contribuir, não precisa pagar

É só ajudar e não vandalizar

Essas escolas que trarão o futuro

De um honesto cidadão.

 

Vivemos reclamando

Mas não olhamos para trás

Para ver aqueles pobres

Que não reclamam.

Vivem em paz...

 

Elizabete Aparecida Cordeiro – 14 anos

 

AMAR E VIVER

 

Eu faço verso sem parar,

na cabeça o seu olhar,

sem deixar de compartilhar,

todo caminho sem deixar,

o teu lindo rosto a notar.

 

Seus cabelos como ouro,

brilha sem parar,

fazendo do meu corpo,

o seu cantinho de amar.

A esperança permanece,

e você nunca me esquece,

e por isso não entendo,

o que comigo acontece,

querendo o melhor do mundo,

e o meu corpo estremece.

Criando e animando,

então vou encantando,

o mundo sem parar,

e com todo o coração,

sem deixar de passar,

e deixando a emoção,

dentro do peito a penetrar.

Sem deixar de citar,

Ignorando as pessoas,

Só por que querem brincar.

 

Leila de Almeida – 16 anos

 

 

 

 

 

CATEGORIA ADULTO

 

 

 

 

FLUIDEZ

 

Expresso a verdade

no

vértice

da

arte

no

preço

da

pressa

na

prece

da

graça

na

garça

da

praça

na

praga

do

brejo

no

beijo

do

leito

no

leite

da

vaca

na

ponta

da

faca

na

crista

da

onda

na

barba

de

Cristo

no

grito

de

dor

nas

juras

de

amor

no

louvor

à

Deus

no

adeus

da

mãe

na

manhã

do

filho

no

exílio

do

sábio

nos

lábios

do

amante

na

Comédia

de

Dante

no

errante

dos

passos

nos

laços

das

tranças

Sinto-me criança

Fazendo arte.

 

1º Lugar – Célia Regina Peraçoli – 23 anos

 

DISSOLVIDA

 

Como em prato raso

Para logo ver o fundo

Estranha sensação

De abraçar o mundo

com os dedos...

O acaso é a resposta

Ao que não se tem resposta

E o movimento

É a única verdade absoluta

Que faz calar a espera

E a inércia dissoluta

A vontade é o motor

Faz pressão às minhas pernas

E o eterno

terno

Habita apenas a ingenuidade débil

Pequenos atos

Grandes movimentos

Abraço pelo menos meu quarto

Mas sei que entre ele e o resto

Há verbos transitáveis

Mas abismos intransponíveis

As antíteses

Povoam meus loucos pensamentos

Já não sei discernir

Nem ao mesmo dissertar

Sobre o bem e o mal

A culpa e a desculpa

O ideal e o real

E acabo por dissolver

O que se embute

No desnecessário

Na...

Cesária

Do eu e do você

Do sol condenaDOR da sobrevida

do amanhecer inovaDOR

Na dis

sol

vida

Viagem Virgem

Vertigem translúcida

Nada passou

De um poema utópico

De um pó óptico

Que me cegou a visão

Mas as versões exitem

E os verso

Não tem a função de explica-las

Mas confundi-las

Ou melhor

Nada funciona

TUDO EXISTE.

 

2º Lugar – Célia Regina Peraçoli – 23 anos

 

 

VIDA E MORTE

 

Vida e morte

Caos

Vácuo

Silêncio

Tudo se confunde...

E no breu da noite,

Cortava os céus, faíscas sem brilho

Gritos sem sons,

Imagens sem vida...

Nós ali.

Corpo a corpo,

Fazendo amor no lençol atômico.

Prontos pro nada.

Amanhã talvez?

A expectativa de vida, quando?

E na leveza da brisa, apaga-se o pudor.

Cheira-se o medo.

A volúpia que emerge dos corpos,

A fragrância da rosa sem cheiro

E no fim sós, só nós

Sem canção, sem ritmo, sem vida

Atraídos e traídos pelo medo

Medo do fim, do começo

Branco e preto

Certo errado

Escuro claro

Deus diabo

Homem mulher

Vida e morte.

 

Andréa Terezinha Artioli Martins

 

ALTO-ALITERAÇÃO

 

Criei castelos de contos

como se cria o caus

Crente na crença que cria

Criei criptas de cristal

que com o crime

se criou crisalha

cobrindo cruel

a crisálida criança

clímax da criação

Caí, sem nenhum critério

crendo que cada critico

criava cada conversa

criava como criança

criava como crença

sem métrica ou crédito

 Criei o meu centro

Clivagem do meio

crítico, cético, místico

meu crime pessoal.

 

Érika Pinheiro – 18 anos

 

REFLEXO

 

Sou o próprio óbito do nexo

reflexo invisível do ser

que renuncia ao vôo constante

para perpetuar o quase-incerto

num momento único

entre o dogma e o cético.

A morte do que é igual

para dar asas ao puro e banal

transceder as páginas criadas

medidas e quadradas

e deitar sobre a sombra do sol

que queima a corada carne

e verte do cérebro

por entre os neurônios

um elixir criança

imensurável e inédito

que numa dita palavras quadradas.

Quadro é o quarto escuro

que toda noite espera

o cérebro menino

que descobre-se velho

durante o dia.

Medido é o tempo do descanso

no remanso da onda do mar.

Mato o nexo dia-a-dia

Miro minha meta no som perplexo

em tudo que desconcentra o certo

q que não perpetua o mundo como é

- injusto -

e sem nexo.

 

Érika Pinheiro – 18 anos

 

 

FIGURAS

 

No mar sussurrou

O vento soprou

O navio ancorou.

Eu fico a pensar

Pra que tanto te amar

Se vai acabar.

E a onda se vai

Se tudo nos trai

A vida é um ai.

A dor que comove

Há alguém que se envolve

E nada resolve.

Se vejo o caminho

Pra que tanto espinho

Se sigo sozinho.

Serão sempre os mesmos

Porque julgaremos

Que vivem à esmo.

Do mar sol poente

Brisa sopra levemente

Do navio muita gente.

E fico no cais

A pensar nada mais

Pois tudo se esvai.

E mergulho a fundo

No lodo do mundo

Sou ser moribundo.

Se vives sorrindo

A todos mentindo

Se amas fingindo.

Nas tuas andanças

Que nunca te cansa

Não vejo esperança.

Você sempre á fim

Mas nunca de mim

Será sempre assim.

 

Maria de Fátima Mariano de Pontes – 38 anos

 

INSTINTOS

 

Para construir o seu ninho

Vê a arte de um passarinho

Que em busca de um raminho

Percorre um longo caminho

E traz sempre seu biquinho

Carregado de carinho

E assim devagarinho

Ela chega de mansinho

Pra não quebrar um ovinho

Ele o faz bem fofinho

E aquece com seu corpinho

Esperando seu filhinho...

Quando nasce o pequeninho

Ele sai bem rapidinho

Em busca de algum bichinho

Que traz com muito jeitinho

E ao ouvir ali quietinho

Já levando o pescocinho

E lhe trata o papaizinho

Até que empenadinho

Já possa sair sozinho

E seguir o seu caminho.

 

Maria de Fátima Mariano de Pontes – 38 anos

 

 

NADA

 

Nada não quer dizer nada.

Porém, às vezes quer dizer tudo.

Ou só quer dizer algo.

Nada não é afirmação

mas também não nega nada.

Nada vê o cego

Nada ouve o surdo

Nada diz o recém-nascido

Nada é o que resta de fé

na politicalha exercida.

Nada ficou dos sonhos amanhecidos

Nada é a ação do peixe

na água do aquário,

é o que sobrou de ontem

é o que sei do futuro.

Nada é o que fizeste

por aquele que de ti precisou.

Nada é o que se pode fazer

diante da morte.

Nada pode ser pergunta e resposta

dependendo da entonação que lhe é incidido

Dizendo nada

compreendi tudo

Fiz do nada meu dissílabo significante

ora diz nada, ora resolve tudo.

O tudo seu pra mim é nada.

 

Maria da Graça Pontes Pinheiro – 43 anos

 

 

 

 

 

 

    

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