Amor à pátria?

Sandro Alponte, jornalista do Jornal O ECO (www.jornaloeco.com.br), testemunhou e sentiu na pele a motivação cívica das comemorações do Dia da Bandeira em Macatuba (SP).

Escreveu e publicou artigo relatando sua experiência. Conheça o texto:

"Amor à pátria?

A dona Lourdes, de uns 60 anos mais ou menos, mais uma vez esteve na Praça Santo Antonio, em Macatuba, para acompanhar as festividades do dia da bandeira no município. Lá estava ela no meio de centenas de crianças, dezenas de professores e muitos populares. Deixou o corpo ereto, quase que em posição de sentido, fixou o olho na bandeira do Brasil e entoou com muito orgulho o hino nacional.

Ela estava bem próximo de mim e confesso que várias vezes olhei para ela durante a execução do hino. Uma senhora bem vestida, rosto sereno, cabelos curtos bem penteados e em uma das mãos segurava uma bandeira plástica do Brasil. Fiquei imaginando qual era o sentimento daquela senhora ao cantar o hino, no que ela pensava enquanto cantava, como foi e é sua vida e o que essa ‘pátria amada’ lhe deu de retorno pela, talvez, devoção de uma vida inteira.

Após a execução do hino me aproximei e conversei rapidamente com ela. Como todo mundo que não tem assunto quando quer puxar uma conversa, falei do tempo que estava quente e a simpática senhora respondeu: “é verdade. Tá muito quente hoje”, disse ela. Como o bate-papo era informal, não fiz perguntas comuns para um repórter. Apenas fiquei sabendo seu nome e que estava ali para ver o neto que havia se apresentado em uma das atrações preparadas pela escola.

Mas a imagem de dona Lourdes permaneceu em meus pensamentos por mais alguns minutos. Fiquei imaginando que para aquela senhora estar ali acompanhando a cerimônia de incineração de bandeiras inservíveis, era um ato de patriotismo. E é mesmo, mas não só isso. Ser patriota é respeitar os mais velhos e as crianças e aprender com eles, cuidar, preservar e trabalhar sempre pelo bem de sua cidade, exigir seus direitos de cidadão, é ser solidário com todos, é ser um por todos e todos por um, enfim, ser patriota em todos os aspectos e não somente em jogos da copa do mundo de futebol.

Patriotismo é uma palavra que ainda não nos é muito familiar, mas precisamos exercitar o patriota que está adormecido dentro de nós. Precisamos cobrar as autoridades respeito pelo dinheiro público, gerado através dos impostos que pagamos, respeito pela nossa cidade, pelo nosso Estado, País e pelo cidadão brasileiro, que muitas vezes é discriminado. É certo que muitas vezes esse nosso amor pelo Brasil não é correspondido, mas amor é assim mesmo “é um estar-se preso por vontade, é servir a quem vence o vencedor, é um ter com quem nos mata a lealdade, tão contrário a si é o mesmo amor... sem amor, eu nada seria (Monte Castelo - Renato Russo)”."

Sandro Alponte é jornalista

(Artigo assinado por Sandro Alponte, publicado na Edição 6454 do Jornal O ECO, de 21-11-2008)

Sandro Alponte - Jornal O ECO - Artigos - 11/21/2008

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