Patriotismo fala sobre pichações urbanas

As pichações urbanas revelam um profundo descomprometimento do jovem com as coisas da cidadania, inibem a auto-estima dos residentes na localidade, aumentam a sensação de impunidade e servem de estímulo às formação de células criminosas.

Com esse foco nossa organização provoca o debate sobre o assunto entre a população e autoridades. Ó Jornal da Cidade de Bauru (www.jcnet.com.br) publicou matéria sobre o assunto e colheu a opinião da Patriotismo, informando sobre o trabalho desenvolvido pela comunidade macatubense com o mote "tolerância zero" no corpo da matéria, que aqui você vê na íntegra:

"Estudo revela: punir a pichação inibe depredações mais graves

Pesquisadores holandeses comprovaram: nos lugares onde há pichação, existe maior possibilidade de mais depredação e até ocorrência de outros delitos, como furtos. Nas palestras que vem ministrando nas últimas semanas nas escolas da cidade, a Polícia Militar de Bauru mostra que uma parede pichada corre o risco de ser rabiscada mais uma vez se não for limpa o mais rápido possível (veja quadro na edição impressa do JC).

O resultado da pesquisa foi divulgado pela revista Science e teve repercussão em jornais de grande circulação do País. O três pesquisadores holandeses mostraram que a pichação em um local pode dobrar o número de pessoas dispostas a jogar lixo no chão e até a roubar.

Para comprovar a idéia, os pesquisadores montaram duas situações no centro de uma cidade holandesa. Na primeira, colocaram panfletos de “feliz ano novo” em bicicletas que estavam em um beco sem pichações. O mesmo número de folhetos foi colocado em bicicletas que estavam estacionadas em um beco parecido, mas completamente rabiscado. Ao final verificaram que 33% das pessoas jogaram o tal papel no chão no beco limpo, enquanto 69% sujaram o chão do beco que estava pichado.

Na segunda situação, os pesquisadores colocaram um envelope na entrada de uma caixa de correio, no qual era possível ver uma cédula de dinheiro. Primeiramente, a caixa estava limpa e 13% das pessoas que passaram por ali furtaram o envelope. Com a caixa postal cheia de pichações, o número de furtos subiu para 27%.

Desde o início desse mês, policiais militares de Bauru passaram a percorrer escolas da cidade para conscientizar os jovens dos problemas provocados pela pichação. A palestra é baseada em informações do programa Jovens Construindo a Cidadania (JCC). “A proposta da PM é combater a pichação com a repressão, prevenção e conscientização”, ressaltou o subcomandante do 4.º Batalhão da PM do Interior (BPMI-4), major Nélson Garcia Filho, em entrevista ao Jornal da Cidade no início do mês.

Nos encontros com os estudantes, a polícia destaca que a pichação traz um grande impacto negativo para o dia-a-dia da comunidade. Entre os fatores destacados, está a queda no orgulho dos moradores, a perda do valor comercial dos imóveis e a sensação de que o crime é tolerado. “O pichador gasta dinheiro para comprar o spray e corre risco para que seu símbolo fique registrado. Se isso for pintado rapidamente, seus sinais serão apagados e ele não tem o que mostrar”, disse o capitão Ézio Carlos Vieira de Melo e policiais da 4.ª Companhia da PM, ao JC no início de novembro.

Por isso, para a PM, a comunidade deve mandar uma mensagem clara contra a pichação, limpando as paredes o mais rápido possível, elaborar leis contra esse vandalismo, criar ações coordenadas e centralizar esforços contra esse crime.

De acordo com os dados divulgados na palestra, uma das maneiras mais eficazes de inibir os pichadores é evitando que eles tenham algo para ser mostrado. Ou seja, pintando os rabiscos o mais rapidamente possível. Segundo as informações da PM, em duas semanas, a chance de um lugar já depredado voltar a ter rabiscos é de 100%.

Na palestra, os policiais acabam recorrendo à teoria das janelas quebradas, avaliando que se a comunidade tem a sensação de que a pichação é tolerada, a percepção da sociedade é a de que o crime em geral está sendo tolerado, o que acaba gerando o acontecimento de crimes mais sérios.

Tolerância zero

Luiz Eduardo Franco, presidente da organização sem fins lucrativos Patriotismo, de Macatuba, observa que na cidade localizada a 53 quilômetros de Bauru não há pichação. Ele destaca que a entidade efetuou um amplo trabalho de conscientização entre as escolas de ensino infantil e que atualmente, os jovens da cidade não realizam esse tipo de vandalismo. “Nossa meta é manter a cidade com zero centímetro quadrado de pichação e estamos conseguindo”, garante.

Ele destaca que no ano passado, quando começaram a aparecer rabiscos em muros da cidade, a Polícia Civil identificou o responsável. Segundo Franco, o autor era de uma cidade vizinha a Macatuba. “Tenho negócios em Bauru e vejo que a situação é de calamidade”, observa. “Na Patriotismo, vemos que é possível o jovem externar sua criatividade com arte e não pichação”, avalia.

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Janela quebrada

A pesquisa holandesa toma por base a teoria desenvolvida por George Kelling e James Wilson em 1982, chamada “broken windows” - janelas quebradas, na tradução. Eles acreditavam que era determinante eliminar a desordem para conseguir reduzir a criminalidade.

“Se você ignorar a janela quebrada de um prédio, outras janelas também serão quebradas. A área vai passar a ter uma imagem de abandono e a delinqüência penetrará na sua casa”, afirma a teoria. Ela deu origem à política da “tolerância zero” em Nova York. Na cidade americana, nenhum crime seria pequeno demais para a polícia. "

Matéria do JORNAL DA CIDADE (www.jcnet.com.br), ano XLII, nº. 14.108, manchete 1ª párgina e página 10, assinada por Lígia Ligabue / Com Redação

Lígia Ligabue / Com Redação - JORNAL DA CIDADE - 11/29/2008

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