Coragem e grandeza d’alma de Tiradentes

Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, foi, sem dúvida, a alma da frustrada Inconfidência Mineira. O risco de ser descoberto e supliciado pela arbitrariedade e despotismo dos portugueses nunca o afastou de sua aspiração de libertador. Preso e condenado, recebeu jubiloso a notícia da permutação da pena de morte de seus companheiros para degredo, dizendo que só ele deveria ser a vítima da lei. E morria em regozijo por não levar junto a si seus companheiros da malograda conjuração.

Tiradentes tinha a fortaleza de um espírito forte, vigoroso, seguro e sólido e, na religião, achou largo e substancioso conforto. Na manhã de 21 de abril, entrou na sua cela o carrasco para vestir-lhe a alva, uma espécie de veste talar de pano branco, e, ao despir-se, dizia que o Cristo morrera por ele, igualmente despido.

No campo de Lampadoza estava erguido o sombrio e sinistro patíbulo, com aproximadamente 20 degraus, para a efetivação do suplício de enforcamento ao heróico mártir de nossa independência, que nos deu um memorável exemplo de nobreza, coragem e firmeza. Em frente à cadeia pública, organizou-se um préstito em ato declarado fúnebre, com a participação da Irmandade de Misericórdia e do Esquadrão de Cavaleiros da guarda do vice-rei. Saiu então o réu, que foi posto entre os religiosos que iam guardados pela cavalaria.

Tiradentes tinha as faces afogueadas, caminhava apressado e sem demonstrar qualquer temor pelo seu destino. Com vigor e altivo, monologava com um crucifixo amarelo, que trazia à mão e à altura dos olhos. Nunca se vira tal coragem e conforto em semblante de condenados à morte. Exatamente às 11h, em sol aberto e abrasante, entrou na larga praça por um dos ângulos, que estavam os regimentos postados em triângulo, o réu com todo o séqüito. Tiradentes subiu serenamente os degraus, sem desviar os olhos do santo crucifixo que trazia. Com ânimo destemido, solicitou ao seu algoz que não demorasse e procurasse abreviar a execução da pena.

Após o sussurro e um frêmito de angústia da multidão, viu-se cair suspenso das traves o corpo do mártir. Este comovente exemplo de um herói nacional bem mostra ser verdade que “a coragem é a força da alma diante do perigo, da dor e da desgraça”.

O autor, coronel Iracy Vieria Catalano, é integrante do Lions Clube de Bauru Centro
Confira o artigo direto do JC (Jornal da Cidade) de Bauru, no atalho: http://www.jcnet.com.br/detalhe_opiniao.php?codigo=154706 br>

Iracy Vieria Catalano - JC Bauru, Opinião - 4/21/2009

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