A Revolução Esquecida - acervo de 432 cartas

Uma coleção de 432 cartas trocadas entre os chefes da Revolução de 1924, entre janeiro de 1923 e julho de 1928, foi digitalizada e está disponível na Internet, no site do Arquivo Público do Estado de São Paulo (www.arquivoestado.sp.gov.br/revolucao.php) para consulta. A Revolução de 24, também conhecida como A Revolução Esquecida, é considerada o maior conflito armado da história da capital.

Peço-lhe que me escreva informando dos movimentos revolucionários, sobre o Rio Grande e Bahia. Aqui estamos isolados e quase nada sabemos. O Isidoro já regressou? ” Este é um trecho de uma carta escrita por Rafael Bandeira Teixeira para Simas Enéas, em 14 de outubro de 1925, e que faz parte da coleção de cartas da Revolução de 24 que o Arquivo Público do Estado acaba de disponibilizar.

A coleção de cartas faz parte do acervo do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, que está sob a guarda do Arquivo Público do Estado desde maio de 2008. A digitalização das cartas da Revolução de 24 faz parte das comemorações dos 85 anos do conflito, que no início do ano também foi tema de uma exposição realizada no Palácio dos Bandeirantes. O conteúdo das cartas é bastante diversificado. Apresenta desde solicitações de mantimentos para os soldados até as estratégias adotadas pelos líderes no conflito.

A partir destes relatos, é possível acompanhar a trajetória da revolução no seu quartel-general e também outros movimentos revolucionários da época como, por exemplo, a Coluna Prestes. Também em comemoração aos 85 anos da Revolução de 24, o Arquivo Público do Estado de São Paulo disponibiliza ao público uma entrevista com o Waldemar Levy Cardoso. Conhecido como o último marechal brasileiro, Cardoso faleceu recentemente, aos 108 anos, e na época da revolução se juntou a jovens tenentes contra o governo Artur Bernardes, ocasião em que foi preso.

Revolução de 24

Entre os dias 5 e 28 de julho de 1924, a cidade de São Paulo foi palco de um conflito armado, considerado o mais violento de sua história. De um lado, tropas federais em defesa de Artur Bernardes; de outro, parte do Exército Nacional e da Força Pública Estadual, que tentavam destituí-lo. O conflito chegou a reunir 18 mil soldados legalistas contra 3.500 rebeldes. Na época, vários pontos da cidade foram destruídos, sendo os bairros do Brás, da Mooca e do Cambuci os mais atingidos. Ao fim dos combates, a Revolução de 1924 deixou um saldo estimado de 503 mortos e 4.846 feridos.

Redação JC - Caderno Geral - JORNAL DA CIDADE (www.jcnet.com.br) - 7/11/2009

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