HINO À BANDEIRA cantado e executado em LIBRAS

Hino interpretado na língua brasileira de sinais (LIBRAS) será uma das inovações do Cerimonial Peculiar de Incineração que acontece em Macatuba no Dia da Bandeira neste ano (2009).

Durante o cerimonial, alunos da 4ª série “A” da EMEF Profª Idalina Canova de Barros, da rede municipal de ensino de Lençóis Paulista executarão o Hino à Bandeira na Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), coordenados pela Profª Aparecida de Fátima Cavalheiro.

Essa inovação não significa apenas o respeito que se deve dar às pessoas portadoras de deficiência auditiva, mas visa também dar exemplos. Exemplo no sentido de que devemos nos preocupar e trabalhar para que todos os brasileiros sejam respeitados nas suas individualidades e demonstrar que todos temos o mútuo dever de respeito não só aos cidadãos mas também à Pátria” acentua o presidente da OSC Patriotismo, idealizadora e organizadora do evento em Macatuba.

Na foto desta página, vemos a sala de aula após o ensaio e apresentação no dia em que a Patriotismo realizou uma palestra com os alunos daquela escola municipal, que puderam conhecer detalhes relacionados com os símbolos nacionais e cerimonial.

O QUE DIZ A LEI ?

A Lei nº. 10.435 (de 24/4/2002) e o Decreto nº. 5.626 (de 22/dezembro/2005) é que disciplinam a Língua Brasileira de Sinais ( LIBRAS ). Para consultar essa lei e regulamento:
LEI Nº 10.436/02 – clique aqui
DECRETO 5.626/05 – clique aqui

Mídia regional

O Jornal da Cidade, de Bauru, na edição de 25 de outubro de 2009, publicou matéria do jornalista Rodrigo Ferrari, que desvenda alguns detalhes do cotidiano das pessoas portadoras de deficiência auditiva, que são obrigadas a superar não apenas as barreiras físicas, mas, também, culturais:

Surdos desvendam seu mundo oculto

Eles não se consideram deficientes, formam uma comunidade e possuem uma cultura própria, baseada na língua de sinais
Rodrigo Ferrari

Eles nasceram com perdas expressivas de audição. Por não estarem acostumados aos sons, possuem, em sua maioria, grande dificuldade de se expressar oralmente. Preferem se comunicar por gestos e sinais. Mesmo que tivessem condições de realizar uma cirurgia que os tornassem aptos a ouvir “normalmente”, eles não aceitariam.

Os surdos têm uma cultura própria, baseada na língua de sinais. São defensores ferrenhos do idioma dos gestos. Também não se consideram deficientes. Como nunca tiveram contato com o mundo dos sons, acreditam que não ouvir é uma coisa normal.

Os surdos costumam ser contrários ao implante coclear - dispositivo eletrônico, também conhecido como ouvido biônico, que estimula as fibras nervosas remanescentes na orelha interna, permitindo a transmissão para o nervo auditivo do sinal elétrico, que depois é decodificado pelo cérebro.

Indivíduos com grandes perdas de audição que realizam o implante são denominados pelos surdos de D.A.s (sigla de deficientes auditivos). Pessoas que se submetem a esse tipo de cirurgia encontram dificuldades de ser aceitas na comunidade surda. Se abandonarem a língua brasileira de sinais (libra) em detrimento da comunicação oral, então, correm sérios riscos de serem excluídos para sempre do grupo.

A reportagem apurou que os surdos tendem a desestimular os colegas de comunidade a realizarem o implante coclear. Para tanto, apelam a todo tipo de argumento. Chegam a afirmar que o dispositivo atrai raios ou eletricidade estática das telas de computadores. Dizem, ainda, que o paciente tem grandes chances de morrer na mesa de operação.

Alguns chegam a dizer que se tivessem um filho com problemas de audição, jamais aceitariam submetê-lo a um implante desse tipo. Surdos que passaram pela cirurgia tendem a não defender publicamente o dispositivo eletrônico.

Emmilly Fernanda Alves dos Santos tem 15 anos de idade e fez o implante três anos atrás. Ela freqüenta o Núcleo Integrado de Reabilitação e Habilitação (Nirh) do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC, mais conhecido como Centrinho) da Universidade de São Paulo. O serviço oferece capacitação profissional e ensino de libras a indivíduos com perda auditiva profunda.

Emmilly afirma que só aceitou receber o implante porque os pais pediram. Diz que não sentia necessidade de passar pela cirurgia, pois antes sua vida era normal. Garante ainda que nada mudou em seu dia-a-dia, depois da operação.

A situação, porém, não é tão simples como pode parecer. Antes da cirurgia, a garota até chegou a se animar com a possibilidade de ouvir. Só que os colegas da comunidade surda passaram a dizer que ela poderia ter a saúde seriamente afetada pelo aparelho.

Depois da operação, vários surdos chegaram a ficar estremecidos com Emmilly, por algumas semanas. Hoje, as coisas voltaram ao normal entre ela e os integrantes da comunidade. Ana Paula Onishi tem 17 anos e mora em Garça. Ela tem perda profunda de audição, mas garante que jamais faria o implante. Afirma ter medo da operação.

Luiz Augusto Pires Júnior, 20 anos, também é contra o implante. Ele disse em libras à reportagem que se Deus o fez surdo, não haveria motivos para querer mudar sua condição. Em público, o rapaz evita usar aparelho auditivo, pois acredita que será discriminado pela sociedade.

O instrutor de libras Valdecir Henrique Santana, 41 anos, também engrossa o coro contra o implante. Na opinião dele, um surdo que recebe o dispositivo jamais conseguirá se igualar a um ouvinte. Ele defende que todas as pessoas com perdas auditivas deveriam aprender a língua de sinais.

Dificuldades

A auxiliar de serviços-gerais Cristiana Henrique, 31 anos, tem perda profunda de audição, em um ouvido, e moderada, em outro. Prefere ser chamada de deficiente auditiva, em vez de surda. Usa aparelho e consegue pronunciar perfeitamente as palavras. Também sabe se expressar por sinais.

Antes de aprender libras, ela teve dificuldades de se aproximar da comunidade surda. “Eles ficavam meio ‘assim’ quando eu chegava perto deles”, explica. A reportagem conversou com indivíduos que se definem como deficientes auditivos, e eles confirmaram a existência dessa barreira cultural. A maioria deles acredita que “surdo” é uma expressão pejorativa.

Libras é vista como língua natural

Surdos enxergam o implante como um tipo de repressão, uma barreira contra seu modo de comunicação particular

O professor universitário Nelson Pimenta é surdo, filho de mãe ensurdecida, irmão de surdos e neto de surdo. “Ou seja, sou surdo pelo menos até a terceira geração, surdo de verdade”, explica. Não é oralizado e garante que nunca desejou ser.

Nelson mora no Rio de Janeiro e é proprietário de uma editora especializada em material didático-pedagógico em língua de sinais. É ator profissional formado nos Estados Unidos e tem curso superior em cinema. Atualmente, faz faculdade de letras com especialização em língua brasileira de sinais (libras).

“Acho que sou um cara bem sucedido, sou feliz com meu trabalho e nunca - nunca! - falei. Isso prova, na prática, que ao contrário do que a maioria pensa, a fala não é essencial para que os surdos possam viver bem”, acredita.

Nelson diz gostar de ser surdo. Ele atribui essa identidade ao fato de nunca ter sido tratado pela família como “um ouvinte com defeito”. “Quando cresci e vi que poderia ser treinado para falar, optei por manter minha mudez e me expressar somente em minha língua natural, a libras”, afirma.

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Deficientes?

Para a comunidade surda, o fato de um sujeito não ouvir não significa que ele seja deficiente. O instrutor de língua brasileira de sinais (libras) Valdecir Henrique Santana, 41 anos, acredita que a surdez é algo normal.

Para ele, um surdo só poderia ser considerado deficiente se, por exemplo, sofresse um acidente e viesse a perder os movimentos das pernas. Ou então, se passasse a apresentar sérios problemas de visão.

Os educadores do Núcleo Integrado de Reabilitação e Habilitação (Nirh) do Centrinho já tentaram trabalhar a questão da deficiência com os alunos, em sala.

Nessas ocasiões, os estudantes costumam fazer menção a situações como a perda de visão ou dos movimentos nos membros, mas jamais aos problemas auditivos.


Créditos

(matéria do jornalista Rodrigo Ferrari do Jornal da Cidade (Bauru – www.jcnet.com.br), edição de 25/outubro/2009, caderno Geral – clique aqui


HINO NACIONAL em LIBRAS

No Youtube existem diversos vídeos da execução do HIno Nacional na língua brasileira de sinais (LIBRAS). Confira um exemplo:


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Patriotismo - Cerimonial 2009 - 11/12/2009

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