Revolução de 32 - Marcha, soldado!

O Suplemento Criança do Jornal da Cidade de Bauru (www.jcnet.com.br) publica neste domingo uma matéria sobre o feriado de amanhã, com informes históricos voltados às crianças. Linguagem simples e objetiva, a história dessa revolução é resumida para que as crianças possam entender o porquê da comemoração e do feriado. Exatamente por esse caráter cívico-didático da matéria, é que vamos transcrever na sua integridade nesta página em corpo de texto maior do que o convencional para facilitar a leitura pelas crianças:

Batalhão do JC Criança, seeeentido e marche!
Amanhã é feriado, dia de ir para o clube, jogar videogame com os amigos e curtir um cinema. Mas você sabe por que o 9 de julho é comemorado aqui em São Paulo e não em outros Estados do País?

Acertou quem disse “ Revolução Constitucionalista de 1932 ”. Este nome grande é para dizer que em 1932 o Estado de São Paulo entrou em guerra contra o Governo Brasileiro. Na época, o presidente da república era Getúlio Vargas, que tinha derrubado a Constituição de 1881, o conjunto de leis que regrava os País. Getúlio governava sozinho, não havia deputados, senadores e nas cidades os vereadores foram mandados para casa. Era um regime de ditadura.

Naquele tempo, não era a cana-de-açúcar que fazia parte das paisagens do Interior de São Paulo. O forte eram as plantações e exportações de café e, por isso, São Paulo alternava a indicação dos presidentes do Brasil com o Estado de Minas Gerais. Essa troca de presidentes recebeu o apelido de “Café-com-Leite”. “Café”, porque São Paulo era o maior produtor do grão no País, e “Leite”, porque Minas Gerais era forte na produção de laticínios como o queijo, o doce de leite e o próprio leite.

Quando Getúlio Vargas assumiu o poder, ele resolveu acabar com as indicações dos presidentes por São Paulo e Minas e instalou interventores em todos os Estados do Brasil. Os interventor nomeado para governar São Paulo não foi um paulista. Pronto! Todo mundo que vivia aqui no Estado ficou revoltado: São Paulo não podia mais indicar o presidente, o Brasil não tinha mais Constituição e um “forasteiro” comandava São Paulo! Era demais!

No dia 23 de maio, um grupo fez manifestações contra o Governo Vargas e para defender São Paulo quatro estudantes morreram: Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade. Os jovens ficaram mais conhecidos como MMDC. Com as mortes começou a revolução em 1932.

Em 1932, os paulistas queria elaborar uma nova Constituição, ou seja, um novo conjunto de leis para o País. Segundo a professora do ensino fundamental Sueli Cavassani Rosa, apenas dois anos após o levante paulista é que uma nova Constituição começou a valer.

Até que isso acontecesse, muita gente morreu. A Revolução Constitucionalista propriamente dita durou de 9 de julho até 2 de outubro de 1932 e, de acordo com a professora, mais de 600 paulistas morreram em combate, muitos deles voluntários. O Governo Vargas foi quem ganhou a batalha, mas São Paulo não saiu perdendo, já que alguns pedidos foram atendidos.

O aluno da 4ª série A2 do Colégio Seta Lucas Sanches dos Santos Tosati, 10 anos, lembra que as novas leis garantiram o voto das mulheres, a jornada de trabalho de oito horas e o 13º salário.
Renato Matheus Mendes Fakhoury, também da 4ª série, disse que este ano foi a primeira vez que ele ouviu falar sobre a Revolução de 32 no colégio. “Eu achei legal. Apesar do Getúlio Vargas ter ganho, o povo paulista atingiu um pouco de seu objetivo, que era conseguir uma nova Constituição” avalia.
Para Lucas foi legal saber mais sobre a revolução. “Eu não conhecia essa história. Os paulistas conseguiram parte de seus objetivos, mas não precisavam ter matado tanta gente assim”, opina.
A professora Sueli explica que Getúlio Vargas, após o final da Revolução, disse que a nova Constituição já estava sendo elaborada. O presidente ainda chegou a homenagear os paulistas e sua “guerra” dando o nome “9 de julho” a uma das importantes avenidas de São Paulo, Capital.

HISTÓRIAS DA GUERRA

“Marcha, soldado, cabeça de papel, se não marchar direito, vai preso no quartel” ! Muitas crianças gostam de brincar de soldado e dobrar chapéus de papel para colocar na cabeça. Em 1932, jovens paulistas deixaram a brincadeira de lado e foram para a guerra de verdade.
O ‘seo’ Heni Scaf tem quase 97 anos e muita história para contar. Ele, quando tinha apenas 21, se alistou como voluntário nas fileiras de soldados paulistas. ‘Seo’ Heni era caixeiro, um tipo de vendedor do comércio, e nunca havia pego em armas. Com ele, muitos outros 70 moços da cidade de Avaí, aqui perto de Bauru, e outros tantos índios da aldeia de Araribá foram para a guerra.
‘Seo’ Heni e metade dos seus colegas de Avaí foram para a Serra da Mantiqueira, uma série de montanhas entre os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O batalhão do ‘seo’ Heni ficou encarregado de tomar conta de uma fábrica de pólvora na cidade de Piquete, Estado de São Paulo.
Estávamos muito bem entrincheirados, mas éramos poucos. Ainda bem que não fomos atacados ou seria uma carnificina”, conta o veterano combatente. ‘Seo’ Heni operava um fuzil metralhadora, mas não chegou a lutar. Esteve nos campos de batalha por mais de um mês e chegou a andar de uma cidade próxima a Ubatuba, no litoral, à cidade de Aparecida do Norte.
A guerra já estava perdida para São Paulo, tanto que um carregamento de armas vindas do Exterior nem mesmo chegou às mãos dos paulistas. Para deixar o campo de guerra, ‘seo’ Heni e outros soldados foram colocados em vagões de trem de carga, junto com mercadorias.
Estávamos mortos de fome e no trem havia uma caixa de bacalhau salgado, comemos o peixe cru e salgado, sem um gole de água”, conta. Imagine só que sede! Os soldados seguiram de trem até Bauru e foram para suas cidades. A guerra tinha acabado.
Quando chegou a Avaí, ‘seo’ Heni voltou a trabalhar como vendedor. “Um dia, quando eu estava atrás do balcão, um freguês entrou na loja com o olho arregalado. Veio dizendo que tinha mandado rezar uma missa para a minha alma, já que na cidade corria o boato que eu havia morrido em combate”, termina o veterano.
Hoje, na memória, o ex-soldado guarda as aventuras que viveu e, no braço e no peito, traz as medalhas que recebeu no passar dos anos. Para ‘seo’ Heni, ter participado da maior guerra que São Paulo enfrentou é motivo de orgulho.

Leia mais no JC Criança - www.jcnet.com.br

Matéria assinada pela Jornalista Daiana Dalfito, publicada no JC Criança, Jornal da Cidade de Bauru, edição de domingo 8-7-2007. www.jcnet.com.br

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=== 2010 - ATUALIZAÇÃO COM ATALHO a noticias, imagens e documentos ===

1932

Uma briga na Justiça marca a data que relembra os 78 anos da Revolução Constitucionalista. Desde 2002, o Obelisco, onde fica o mausoléu em homenagem aos heróis de 32, está fechado para visitas. Apenas três vezes ao ano o patrimônio é aberto ao público. Projetado pelo escultor Galileo Emendabili, o obelisco carrega a simbologia do número 9 : tem 72 metros de altura (7+2=9); da cripta ao topo tem 81 metros (8+1=9), sendo que 81 também é o quadrado de 9; pela soma aritmética de 72 e 81, também se chega ao número 9 (7+2+8+1=18 (1+8=9)). (vide atalho abaixo)

"Velha e sempre nova"

Vejamos um pouco da importância da Faculdade de Direito do Largo S. Francisco na Revolução de 1932. (veja atalho abaixo)

Aurífero prédio

Além do Obelisco, SP tem outros monumentos que relembram a Guerra de 32. Um deles foi construído com a sobra do montante arrecadado na campanha "Ouro para o bem de São Paulo", que visava reunir fundos para sustento da Revolução. De fato, o Movimento de 1932 teve seu findar antes da aplicação da maior parte dos recursos. E com medo de que Getúlio Vargas garfasse o dinheiro, o comando das forças paulistas doou os fundos à benemérita Santa Casa de Misericórdia, que construiu um prédio que retrata a bandeira paulista, chantado no Largo da Misericórdia, no coração de SP. Os migalheiros, ao passar por ali a partir de agora, no burburinho da esquina da rua Direita, haverão de reverenciá-lo, como merece. Conheça essa história. (ver atalhos abaixo)

Consulte mais detalhes sobre o movimento de 1932, navegando até os atalhos abaixo:
OURO PARA O BEM DE S.PAULO – clique aqui

A REVOLUÇÃO NO LARGO, ou O LARGO NA REVOLUÇÃO – clique aqui

FONTE: esses atalhos remetem à matérias publicadas no sitio "www.migalhas.com.br".

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Jornalista Daiana Dalfito - Jornal da Cidade de Bauru - JC Criança - 8/7/2007

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