7 de Setembro - Dia da Independência

Para entendermos um fato histórico, devemos antes e acima de tudo compreender o seu contexto de época e, principalmente, os acontecimentos que o antecederam e, conseqüentemente, o propiciaram.
Uma revolução, uma guerra, uma revolta, não ocorre, assim, de uma hora para outra, por simples resolução ou capricho. Pequenos fatos vão se acumulando, como a água na represa, até chegarem à gota d'água definitiva, liberando as comportas da história para um único e derradeiro momento.
Momentos esses, muitas vezes, representados por um nome, uma liderança - homem ou mulher -, que, na verdade, são apenas representantes dos anseios de gerações inteiras. Gerações de homens e mulheres anônimas vão fazendo aos poucos a história.Acumulando a água .
Cabe às lideranças políticas situar os marcos dessa história anônima, tomando para si a hora e a vez de exercer um ato histórico, aqui, no caso, o da Independência do Brasil.
A dom Pedro coube cravar o marco da independência no chão patriótico da história brasileira.
Coube a ele abrir as comportas.

ANTES DA IDÉIA VINGAR

A chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, em 1808, fugindo da invasão francesa a Portugal, acaba sendo o começo de tudo, quer dizer, do processo da proclamação da independência. Podemos dizer que os brasileiros se acostumaram com essa presença real em solo pátrio, que passou a ter um gostinho de terra com lideranças próprias ou dona do próprio nariz.
No mesmo ano em que desembarcou, dom João abriu os portos "às nações amigas", fundou o Banco do Brasil e o Jardim Botânico. Em 1815, é criada a Academia Militar e da Marinha, além da Biblioteca Real e a Imprensa Régia. Dom João eleva ainda a condição do Brasil ao de Reino Unido a Portugal e Algarves. O objetivo, com isso, era fazer a monarquia portuguesa representar-se no Congresso de Viena, na Áustria, onde acontecia a reorganização do mapa político da Europa, depois de Napoleão ter sido derrotado.
No ano seguinte, uma Missão Francesa chega ao Brasil, a convite de dom João, com o intuito de desenvolver as artes no país. O grupo é composto por intelectuais e artistas contratados, como os pintores Jean Baptiste Debret, Nicolas Taunay e o arquiteto Grandjean de Montigny.

DISPUTA DE INFLUÊNCIA

Ao se estabelecer no Rio de Janeiro, a Corte Portuguesa amplia o poder central nessa cidade, especificamente, e enfraquece as províncias. Para aumentar ainda mais as condições insatisfatórias em relação à diminuição da influência política, o desempenho ruim do açúcar suscita dificuldades econômicas nas regiões do cultivo da cana. Isto vai gerar, em 1817, a Revolta Pernambucana, que tem como fonte de inspiração a Revolução Francesa, a independência dos Estados Unidos e as lutas emancipatórias da América hispânica.
Comerciantes, latifundiários, bacharéis e até padres conspiram contra militares e comerciantes portugueses, apontados como os responsáveis pelos problemas das províncias. O que esses cidadãos querem é que o controle do comércio seja retirado das mãos de portugueses e ingleses.
Com a revolta tomando conta das ruas do Recife, o então governador, Caetano Pinto, abandona o cargo e foge para o Rio de Janeiro. Com o poder local esvaziado, os rebeldes organizam o primeiro governo brasileiro independente e proclamam a República. A alegria, no entanto, dura pouco. Sem contar com o apoio das demais províncias do nordeste, o "novo governo" é cercado e vencido pelas forças legalistas.

D. JOÃO ASSUME: D. PEDRO A CAMINHO

A mãe de dom João, dona Maria I, "a rainha louca", morre, em 1818, ficando para seu filho a coroa. O regente é então coroado como Rei de Portugal, do Brasil e de Algarves, com o título de dom João VI.
Em 1821, porém, o Parlamento português exige de Dom João VI o juramento antecipado da primeira constituição de Portugal e ordena a sua volta, uma vez que, no ano anterior, um movimento liberal e antiabsolutista havia sido deflagrado em Portugal, conhecido como a Revolução do Porto. Dom João VI retorna e se submete ao regime constitucionalista, mas não sem antes deixar seu filho mais velho, dom Pedro, como regente do Reino Unido do Brasil.
Ainda pressionado pelas Cortes Constituintes de Portugal, dom João VI manda chamar dom Pedro a Lisboa, que, naturalmente se nega a ir. Ele acredita que, por trás dessa pressão, se esconde a tentativa de esvaziar o poder monárquico. Estamos no ano de 1822 e sua decisão de ficar é anunciada no dia nove de janeiro, lembrado até hoje como o Dia do Fico. Dom Pedro não estava sozinho nisso. Contava com o apoio de alguns políticos brasileiros que, por defenderem a manutenção do Brasil como Reino Unido, organizam um abaixo-assinado, pedindo ao príncipe regente que permanecesse no Brasil. É o princípio do fim da influência portuguesa por aqui.

D. PEDRO E A INDEPENDÊNCIA

1822, ao que parece, é um ano decisivo. Dom Pedro anuncia sua insubordinação à Constituição Portuguesa, convocando a primeira Assembléia Constituinte brasileira.
Depois de declarar que as tropas portuguesas que desembarcassem no Brasil seriam consideradas inimigas, o príncipe regente resolve assinar o Manifesto às Nações Amigas, escrito por José Bonifácio, o Patriarca da Independência. Com essa assinatura, ratifica o rompimento com as Cortes Constituintes de Lisboa e assegura "a independência do Brasil, mas como reino irmão de Portugal". Os portugueses, no entanto, não aceitam a convocação da Assembléia Constituinte Brasileira e exigem a volta imediata de dom Pedro, ameaçando, inclusive, com o envio de tropas.
O príncipe não obedece ao Parlamento Português, proclamando a Independência do Brasil, no dia sete de setembro, e afirmando em documento oficial a separação política entre colônia e metrópole portuguesa. Ele é aclamado imperador em outubro daquele ano e coroado, dois meses depois, pelo bispo do Rio de Janeiro, com o título de dom Pedro I, imperador do Brasil.

ÀS MARGENS DO RIACHO

A história conta que, voltando de uma viagem a São Paulo, após visitar Santos, dom Pedro recebe notícias oriundas de Portugal, às margens do riacho Ipiranga. Ele não gosta nem um pouco do que acaba de saber e se convence, finalmente, de que deve se separar da metrópole. Diante dessa certeza, arranca do chapéu as cores de Portugal e, aclamado pelos que o acompanhavam, grita "Independência ou Morte".
Até abrir as comportas e deixar essa última gota d'água arrastar todo o conteúdo da represa, muitos fatos convergiram, propiciando o ato de dom Pedro.
O agravamento da crise do sistema colonial é um deles, trazendo revoltas no fim do século XVIII e início do XIX, como a Inconfidência Mineira, a Conjuração Baiana e a Revolta Pernambucana de 1817, já explicitada. Movimentos esses motivados pela independência dos Estados Unidos, em 1776, e pelo processo da Revolução Francesa (1789-1799). A rejeição ao absolutismo monárquico e ao colonialismo aumentava internacionalmente. O crescimento do livre comércio induzia um clima contrário ao monopólio comercial português e ao excesso de impostos. A transferência da Corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, e sua posterior permanência, também concorreram, na prática, para cortar os laços coloniais com Portugal, preparando o grito do Ipiranga.

UMA VERDADEIRA "PALADINA DA INDEPENDÊNCIA"

A mulher de D. Pedro I, Carolina Josepha Leopoldina, arquiduquesa da Áustria, mais tarde Imperatriz do Brasil, aparece muito pouco na maioria dos livros de história. Sabemos que ela apoiava as atitudes do marido e que lhe escrevia cartas na sua ausência narrando os acontecimentos que antecederam à independência.
Pesquisando um pouco mais, é possível saber que essa jovem - quando veio da Áustria, em 1817, para casar com D. Pedro, tinha 19 anos apenas - participou silenciosamente mas com muita influência em todo o processo.
Descendente dos Habsburgo, o pai era chefe da Santa Aliança, pacto formado entre a Rússia, Prússia e Áustria para barrar o avanço de Napoleão. Do lado de Portugal, naquele momento, interessava o casamento com um aliado de peso, pois a Corte estava estabelecida no Brasil numa situação de fuga. Para seu país de origem, era interessante aquela aliança com o Novo Mundo.
Vinda de uma realidade muito diferente do Brasil, falava francês, inglês e alemão e também aprendeu português. Em suas cartas à família descrevia a sua dificuldade em se adaptar naquele país atrasado, mas elogiava aquela "terra de natureza bela e exótica". Em sua comitiva trouxe quem pudesse estudar e descrever as espécies animais e vegetais, assunto que despertava todo o seu interesse.
Participou fazendo pressão no episódio do Fico, colecionou documentos de apoio de mulheres brasileiras em prol da liberdade do Brasil, chegou a contratar mercenários na Europa para conter rebeliões no país. Como tinha muita instrução e conhecimentos de ciência política, era contra os falsos ideais libertários, acreditava que o caminho para o Brasil era seguir o exemplo da independência dos Estados Unidos e até depois da independência do Brasil, pelas cartas enviadas ao pai, pelos conhecimentos que tinha do funcionamento da Assembléia Geral Constituinte do Império, vê-se como era informada sobre todo o processo.
Mesmo depois do conhecimento público de um romance entre D. Pedro e a Marquesa de Santos, D. Leopoldina nunca deixou de atuar politicamente, de forma positiva e a favor do Brasil.

FONTE: http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/independencia/home.html

IBGE - www.ibge.gov.br/ibgeteen - 9/7/2007

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